Arquivo para Janeiro, 2008

Coisas que o Lula não conta

Pesquisa realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) concluiu que o Programa Bolsa Família tem pouco impacto positivo na saúde das crianças de famílias que recebem o benefício. De acordo com os autores do estudo o programa aumenta a procura por serviços de educação e saúde, por causa das exigências de que os pais mantenham os filhos na escola, e consequentemente. cumpram o calendário de vacinação infantil e, no caso de mulheres grávidas, façam exames pré-natal.
 
“A bolsa família foi reinventada pelo governo Lula, mas antigamente o bolsa escola se prestava ao mesmo fim, em várias cidades e estados – retirar pessoas de situações de risco, mas hoje, ela simplesmente mantém uma cota de dinheiro por mês, sem fiscalizar e acompanhar as famílias cadastradas”, avalia o vice-líder dos Democratas na Câmara, deputado Guilherme Campos (SP).
O deputado afirma que o estudo reforça a visão dos Democratas sobre a aplicação do programa. Para ele, os dados da pesquisa enfatizam a necessidade de ampliar o acesso à saúde e a educação de qualidade. “Quem recebe bolsa família não tem preferência no serviço público de saúde. Toda a população de baixa renda, dentre eles, quem está no bolsa família, tem o mesmo tipo de atendimento: precário e ineficiente em todos os aspectos – da prevenção de doenças (vacinação ) ao tratamento nos hospitais”, lembra Campos.

Na pesquisa, os autores concluem que a cobertura de saúde para as famílias beneficiárias não é universal, como eles pensavam. Os números mostraram também que, embora o programa aumente a freqüência escolar, por exigir que as crianças freqüentem a escola, o índice de repetição dentre as atendidas é maior que aquelas que estão fora do Bolsa Família.

“O bolsa família não ajuda a melhorar a saúde e a educação. O estudo reitera que este programa, neste modelo atual, é só um caminho que o governo escolheu para trazer a população mais pobre para perto do presidente Lula, sem gerar mudanças profundamente significativas na vida das pessoas. Assim, os atendidos pelo programa têm ‘a falsa idéia’ de que: basta ter comida em casa, quando o correto seria gerar expectativa de crescimento. Se isso acontecesse, integrado à políticas educacionais, os resultados seriam melhores”, pondera.

O estudo comparou programas de transferência de renda de vários países. No Brasil o volume de dinheiro aplicado é maior que em todos os outros, ou seja, mais pessoas recebem a bolsa, mas, em termos de qualidade e resultados, o modelo brasileiro apresenta  pior desempenho que os programas do Chile (Chile Solidário) e México (Oportunidades). “A Bolsa Família de Lula gera conformismo – num formato populista – que só mantém pessoas dependentes e incapazes de crescer”, finaliza Campos.

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